terça-feira, 30 de março de 2010


Chamam de solidão meu jeito de acordar, de comer, de ir ao cinema ou de dormir. Chamam de solidão o modo como amarro os sapatos, visto as bermudas, desarrumo meu quarto. Se tudo que chamam, tivesse o nome solidão, abandonariamos o léxico e solidão solidão solidão solidão.

Estou mais cansado de mim do que só. Em prol da sanidade mental seria interessante dividir um pouco do que sou, e ter um pouco de um mundo alheio pra me divertir. Mas isso é acordo antigo, há tempos escolhi saber mais do que aguentaria, escolhi tentar mais do que conseguiria e deixar de ser quando a insuficiência fosse insuportável. Ainda não é. Pela vida que consegui fico só comigo.

Talvez não haja eufemismo que dê conta, da mesma forma que não há dinheiro que pague pelas minhas vontades, ainda que burguesas. Há de fato um acordo antigo que não posso mudar agora, além do mais não sinto as solidões que me recomendam sentir. Mas sobro comigo e com meu vasto leque de incompetências. Não amar é estar morto, não é o caso, estou só. Sentindo faltas metafóricas, teóricas, sortidas e aleatórias.... com sorte, durmo elas pra fora de mim hoje.



3 comentários:

Marcos Burian (Buriol) disse...

Uia. Essas viagens erradas abundam noutras mentes, pelos vistos.

www.claudiajussan.com disse...

que lindo! vou copiar! tô assim. bigado por ter escrito.

Filipe disse...

Vocês estão precisando de um belo pedaço de bacon e um abraço, isso sim!